Ele é era um menino muito curioso, era um pouco louco e pouco amigável, justamente por isso seu sonho era apenas poder voar, ou melhor, ser livre, também por isso fazia caminhadas pela vizinhança sem rumo refletindo e procurando algo diferente para fazer, sempre imaginando um mundo diferente, maneiras diferentes de se resolver os problemas e descobrir soluções para sua solidão.
Certa vez numa dessa caminhada resolveu por falta de não se ter o que fazer, montar um estilingue, ou algo parecido, pois todos que conheciam tinha um, foi a procura do material para a confecção do artefato, durante a procura foi observando os espaços e os lugares estratégicos para o uso de seu mais novo brinquedo.
Passado algumas horas seu pequeno estilingue estava pronto, saiu então a procura de vitimas, de uma caça, pena que não fazia idéia do que estava por vir, pois ao se deparar com um pequeno pássaro descansando num galho do pessegueiro que havia perto de sua casa, resolver por testar sua pequena arma e sua pontaria, mal sabia que ao lançar a pedra iria matar o pequenino pássaro inocente em seu descanso, pois bem, feito o trágico teste seu coração bateu forte e acelerado, pois não havia tirado a vida de nada, nem ninguém antes, seu semblante já não era o mesmo, sua pernas já não eram as mesmas nem seu brinquedo se encontrava em mãos, apenas um olhar assustado e um ar de arrependimento. Ficara ali parado por alguns instantes até decidir ir ao encontro do pequenino inocente.
Embrenhou-se no meio da mata, passou pela gigante mangueira carregada por seus frutos suculentos que exalavam um delicioso odor de fruta madura até deparar-se com o corpo rígido e inerte de um pardal que não tinha nada a ver com seu tédio, com seu desejo de distrair-se, sentiu-se um ser desprezível e cruel, pois acabará de tirar a vida de um pobre pássaro, decidiu por fazer o enterro do bichinho ali mesmo, fez uma cova adequada ao tamanho do pequeno defunto, fez uma oração pedindo a Deus que o perdoasse por sua atitude sem razão, deixou que uma lágrima caísse, por um momento achou ter visto a alma do pequenino ter saído voando, como nos velhos tempos de alegria.
Nenhum comentário:
Postar um comentário